Com chuvas abaixo da média, Rio Acre deve continuar em vazante e agrava estiagem na capital

Entre cheias e secas extremas: O que o acreano espera para a Amazônia? Com chuvas abaixo da média e previsão de redução nos próximos meses, o Rio Acre dev...

Com chuvas abaixo da média, Rio Acre deve continuar em vazante e agrava estiagem na capital
Com chuvas abaixo da média, Rio Acre deve continuar em vazante e agrava estiagem na capital (Foto: Reprodução)

Entre cheias e secas extremas: O que o acreano espera para a Amazônia? Com chuvas abaixo da média e previsão de redução nos próximos meses, o Rio Acre deve continuar em vazante em Rio Branco. Na manhã desta segunda-feira (1º), o manancial marcou 3,23 metros na capital acreana, segundo a Defesa Civil Municipal. De acordo com dados do órgão repassados ao g1, maio terminou com acumulado de 72,8 milímetros de chuva, abaixo dos 104 milímetros esperados para o período. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Para junho, a previsão é ainda menor: 39,4 milímetros. Diante do cenário, existe a possibilidade de o rio atingir níveis críticos durante a estiagem deste ano. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, a tendência é de vazante contínua até o segundo semestre de 2026. “O rio deve continuar descendo. Estamos um pouco acima dos três metros, mas a tendência é baixar de três, depois de dois metros. Podemos chegar a níveis muito críticos principalmente em agosto e setembro, que são os meses mais complicados em relação ao nível do rio”, afirmou. Ainda conforme Falcão, a diminuição gradual das chuvas deve influenciar diretamente no comportamento do manancial nos próximos meses. LEIA MAIS: Com previsões de seca, órgãos discutem ações para enfrentar estiagem no AC: 'Mitigar os efeitos' Rio Acre baixa mais de 6 metros em um mês e acende alerta na capital: 'Prenúncio de estiagem' Consciência Limpa: mais de 100 mudas devem ser plantadas para recuperação ambiental em Rio Branco “As chuvas estão cessando e devem diminuir ainda mais. Maio já choveu abaixo da média e agora temos junho, julho, agosto, setembro e outubro com poucas chuvas, o que traz uma série de consequências”, destacou. A Defesa Civil de Rio Branco também acompanha a possibilidade de o Rio Acre se aproximar novamente de marcas históricas da seca. Em setembro de 2024, o manancial atingiu 1,23 metro, a menor cota já registrada em Rio Branco. “Podemos chegar muito próximo dessa marca ou até superar. Mas não precisa chegar a 1,23 metro para causar problemas. Com 1,50 metro ou 1,40 metro as consequências já são bastante danosas”, alertou o coordenador. Preocupação A preocupação com a estiagem deste ano ocorre em meio a um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes no Acre. Além das secas severas, o estado também enfrenta cheias históricas, queimadas e períodos prolongados de calor intenso. Um estudo do Centro Brasil no Clima aponta que o Acre registrou mais de 160 desastres ambientais em pouco mais de duas décadas. Entre os eventos mais recorrentes estão enchentes, secas e incêndios florestais, que afetam diretamente a população e a infraestrutura dos municípios. Em Rio Branco e Brasiléia, por exemplo, enchentes e alagações passaram a fazer parte da rotina de muitas famílias. Já durante o verão amazônico, a redução das chuvas favorece a ocorrência de queimadas e piora da qualidade do ar. Especialistas também alertam que períodos prolongados de seca contribuem para o aumento das temperaturas e ampliam os riscos à saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Planejamento Na última quinta-feira (28), representantes da Defesa Civil, órgãos ambientais e pesquisadores discutiram durante uma reunião estratégias para enfrentar a estiagem prevista para este ano. A discussão ocorreu em meio aos alertas sobre a rápida redução no nível do Rio Acre na capital. Conforme mostrou o g1, o manancial baixou 6,87 metros em apenas um mês. Para a Defesa Civil Municipal, o cenário já é considerado um “prenúncio de uma estiagem forte” em 2026. Reunião que discute ações para enfrentar estiagem aconteceu na manhã da última quinta-feira (28) em Rio Branco Richard Lauriano / Rede Amazônica Na ocasião, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, afirmou que o objetivo é antecipar medidas para reduzir os impactos da seca e evitar a repetição dos problemas registrados nos últimos anos, como dificuldades no abastecimento de água, aumento das queimadas e prejuízos para comunidades rurais e ribeirinhas. Outro fator que aumenta a preocupação é a possibilidade de atuação do fenômeno El Niño nos próximos meses. Seca histórica Em 2024, quando o Acre enfrentou uma das secas mais severas já observadas. Naquele ano, junho acumulou apenas 21,1 milímetros de chuva em Rio Branco, o equivalente a 34% do volume esperado para o mês. Com a falta de precipitações, o Rio Acre entrou em rápida vazante e atingiu 1,23 metro em setembro e estabeleceu a menor cota da série histórica. Na época, o governo do Acre montou um gabinete de crise para discutir e tomar as devidas medidas com redução dos índices de chuvas e dos cursos hídricos, bem como do risco de incêndios florestais. Rio Acre chega em setembro de 2024 chegou ao menor nível já registrado Jardel Angelim/Rede Amazônica A seca afetou o abastecimento de água em comunidades urbanas e rurais, dificultou a navegação em regiões isoladas e contribuiu para o aumento das queimadas e dos problemas respiratórios provocados pela fumaça. O que é o El Niño e por que ele preocupa? 🌡️☀️ O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Apesar de ocorrer no oceano Pacífico, ele altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta, incluindo o Brasil. Segundo a agência climática dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 80% de chance de formação do fenômeno ainda em 2026. Especialistas, porém, afirmam que ainda não é possível saber qual será a intensidade do evento. Historicamente, o El Niño provoca redução das chuvas na região Norte, aumento das temperaturas e maior risco de seca e queimadas na Amazônia. Cientistas também alertam que os efeitos podem ser potencializados pelo aquecimento global, favorecendo ondas de calor mais intensas, incêndios florestais e impactos no abastecimento de água e na qualidade do ar. VÍDEOS: g1

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