Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio

Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados intern...

Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio
Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio (Foto: Reprodução)

Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações. O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana. Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30. Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia. Escalada da guerra no Irã A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a “rendição incondicional" do Irã. O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico. Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem. Ataques também atingiram navios que transportam petróleo. Em terra, o conflito também se intensificou. O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos. No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos. Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia. Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades. O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação. Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters Rotas de petróleo entram em alerta Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias. Outros países também adotaram medidas emergenciais. A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes. O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo. Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e inflação A alta do petróleo já começa a gerar preocupações sobre seus efeitos na economia global. Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores. “O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil”, explica. De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo. “O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final”, afirma. Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas. “Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas”, diz. Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar. Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

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