Jogador do Vasco-AC suspeito de estupro se entrega à polícia: 'Não fiz nada de errado'
Alex Pires Júnior, o Lekinho, se entrega à polícia por suspeita de estupro em Rio Branco O jogador Vasco da Gama-AC Alex Pires Júnior, o Lekinho, se apresen...
Alex Pires Júnior, o Lekinho, se entrega à polícia por suspeita de estupro em Rio Branco O jogador Vasco da Gama-AC Alex Pires Júnior, o Lekinho, se apresentou à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (17) acompanhado do treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar. Ele é um dos quatro jogadores investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do time. 👉 Contexto: Os jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC), são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube, na madrugada da última sexta-feira (13), em Rio Branco. O primeiro está preso preventivamente desde domingo (15). 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ao sair da Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, o jogador conversou com a imprensa e negou as acusações. Da Defla, ele foi levado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), responsável pelas investigações. "Eu tô aqui de livre e espontânea vontade, sei que não fiz nada de errado. Conversei com o Eric [treinador], mostrei tudo que tinha, tenho a mensagem da pessoa que, na verdade, nem me acusou, mas meu nome está sendo citado. Estou aqui para dar minha versão, estou à disposição da Justiça, porque sei que não fiz nada, não cometi nenhum tipo de crime, Deus é justo e vou provar isso na Justiça", declarou. Alex Pires Júnior, no centro, se entregou à polícia na tarde desta terça-feira (17) Gustavo Almeida/Rede Amazônica Acre O delegado Alexnaldo Batista, plantonista da Defla, disse que foi procurado pelo treinador do time e comunicado sobre a apresentação de Lekinho. "Comunicamos aos nossos superiores, ao delegado da Deam e fizemos o recebimento da apresentação dele para darmos o cumprimentos do mandado de prisão", resumiu. O advogado Robson Aguiar confirmou que orientou o cliente a se apresentar à polícia e que a defesa vai apresentar novas provas à polícia. "Provaremos que o Alex não tem nenhum envolvimento com essa situação. Disse que deveria se apresentar, cumprir um decisão judicial, levaremos as provas que a autoridade policial ainda não tem e, com toda certeza, haverá uma revogação dessa prisão", concluiu. 'Não vamos passar a mão na cabeça' O treinador Eric Rodigues afirmou que a denúncia é frágil, mas que acredita na Justiça e na versão dos atletas. Eric destacou ainda que os jogadores são do Rio de Janeiro e que o time presta assistência necessária no processo. "A gente acredita na autoridade policial e na Justiça. Vão fazer o que tiver que ser feito. Quero deixar bem claro que, com o clube, eles erraram e não estamos aqui para passar a mão na cabeça, é terminantemente proibido acesso de qualquer pessoa ao alojamento, que não sejam dos alojados, principalmente de mulheres", complementou. Jogadores do Vasco-AC são investigados por estupro Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues Eric falou que os últimos dias tem vivido um pesadelo e os familiares dos jogadores que vieram para o Acre estão muito preocupados e buscam informações a todo instante. O treinador destacou que acredita na inocência dos jogadores, mas que, se forem culpados devem pagar pelos crimes. "Esses jogadores vieram para cá confiando em mim. Vocês não sabem o inferno que está sendo minha vida esses dias, tem mais de 20 alojados lá, familiares de todos desesperados e preocupados. Que possam se defender, provar a inocência. Se forem inocentes, que provem, se não forem, que paguem. Não estamos aqui para passar a mão na cabeça de quem estiver errado", lamentou. Relembre o caso O atacante Erick Serpa foi preso em flagrante no sábado (14) e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia no domingo (15). Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça e devem se apresentar à polícia acompanhados da defesa. Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. (Confira no final da reportagem) LEIA TAMBÉM: Advogado é preso suspeito de estuprar e manter homem preso em motel no Acre Acre registra mais de 600 casos de estupro em sete meses; 80% das vítimas são vulneráveis Jovem que denunciou Mister Teen Acre por estupro é ouvida pela polícia em Rio Branco Ao g1, o advogado Atevaldo Santana informou que os jogadores negam as acusações e sustentam que houve relação sexual consensual com as denunciantes. "São réus primários, nunca responderam a nenhum processo criminal, são todos maiores de idade e não tem nada. Foi decretado a prisão temporária deles e vão se apresentar espontaneamente em sede policial. Vou escolher o dia ainda que vou apresentar eles", argumentou. O caso foi registrado na Deam no sábado (14). O delegado Alcino Souza, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência naquele momento e foram encaminhadas para atendimento médico. Jogadores do Vasco-AC são acusados de estupro De acordo com o delegado, as vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. "Indicaram os nomes, o local que poderiam estar, que é o alojamento. Eu reuni uma equipe e fomos até o local. É uma casa bem grande, onde ficam vários jogadores, e lá conduzi o Erick Serpa para a delegacia. Os outros não estavam", afirmou. Ainda conforme a polícia, as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente. "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu o delegado. Alcino explicou que as vítimas não foram ouvidas imediatamente porque estavam recebendo atendimento médico. Ele destacou que o crime de estupro é de ação penal pública incondicionada, ou seja, não depende de representação formal da vítima para que a investigação seja iniciada. O inquérito segue sob responsabilidade da Delega A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para que a mulher peça ajuda: (68) 99609-3901 (68) 99611-3224 (68) 99610-4372 (68) 99614-2935 Veja outras formas de denunciar: Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel. Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer a notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) Nota da Secretaria de Estado da Mulher O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), vem a público manifestar repúdio às declarações proferidas pelo treinador de futebol do clube Vasco da Gama-AC, em reportagens exibidas em programas de TV locais. Durante sua fala, ao se posicionar sobre denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade, o treinador desqualifica o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações. Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher. Causa especial preocupação, ainda, o conteúdo misógino e discriminatório presente nas declarações, ao atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos, e qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres configura culpabilização da vítima. É igualmente inaceitável a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro. Além disso, os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados nas falas caracterizam violência física, somando-se à violência sexual, o que eleva ainda mais a gravidade dos fatos. A Secretaria de Estado da Mulher reforça que vem fazendo o acompanhamento das vítimas do caso em questão e reafirma que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional. Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contras às mulheres e terminam por afastá-las da busca por justiça. Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização do trabalho das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito. Márdhia El Shawwa Secretária de Estado da Mulher Nota do clube Vasco-AC A Associação Desportiva Vasco da Gama (AC) tomou conhecimento de informações divulgadas publicamente indicando o envolvimento de atletas vinculados ao clube em ocorrência sob apuração pelas autoridades competentes. Diante da seriedade do assunto, a instituição informa que adotou medidas administrativas internas para apuração dos fatos e permanece à disposição para colaborar integralmente com as autoridades. O clube reafirma seu compromisso com a integridade, o respeito e a observância das normas, ressaltando que qualquer conclusão sobre responsabilidade depende da apuração oficial, com garantia do devido processo legal. Ao mesmo tempo, a Associação esclarece que não compactua com qualquer forma de violência e adotará as medidas cabíveis, no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. Por respeito às pessoas envolvidas e ao curso das apurações, a Associação não fará comentários adicionais neste momento. Atualizações serão divulgadas exclusivamente por canais oficiais. Reveja os telejornais do Acre