Série aborda bastidores da investigação de médico que responde a mais de cem inquéritos

Série aborda bastidores da investigação de médico que responde a mais de cem inquéritos Um cirurgião investigado por mais de cem inquéritos é suspeito d...

Série aborda bastidores da investigação de médico que responde a mais de cem inquéritos
Série aborda bastidores da investigação de médico que responde a mais de cem inquéritos (Foto: Reprodução)

Série aborda bastidores da investigação de médico que responde a mais de cem inquéritos Um cirurgião investigado por mais de cem inquéritos é suspeito de ter causado a morte de pelo menos 40 pacientes e lesões em dezenas de outros. O caso de João Couto Neto é tema da série documental “Quebra de Juramento – Um Médico no Banco dos Réus”, que estreou no Globoplay. Em Porto Alegre, vítimas e familiares organizaram um raro protesto contra um médico. Muitos carregavam cartazes apesar das sequelas físicas. Entre eles estavam Maiara Becker, representante comercial, e Cristiana Kirch, cabeleireira e filha de Núbia, paciente que morreu após cirurgia. Cristiana relata que percebeu não estar sozinha: “Quando num momento a gente notou, nós já tínhamos quinze vítimas”. João Couto Neto era figura conhecida em programas de TV gaúchos. Em uma entrevista, agradeceu a oportunidade de falar sobre sua profissão. Especialista em videolaparoscopia, técnica que utiliza pequenas incisões para câmeras e instrumentos, iniciou a carreira em cirurgias de hérnia e vesícula, mas expandiu para procedimentos ginecológicos. “Ele procurava muito a mídia e era bem conhecido”, lembra Cristiana. A repercussão levou pacientes à imprensa. O Fantástico mostrou o grupo “Unidos pela Dor”, que reuniu 30 pessoas entre operados e familiares de vítimas. Enquanto muitos acusam o médico, ex-pacientes como Michele Ferraz afirmam ter tido boa experiência. “Parece que estão falando de outra pessoa”, disse. Fernanda Roig também relatou atendimento positivo. A Polícia Civil afirma que Couto operava como em uma linha de produção, realizando centenas de procedimentos em sequência. A produtora Clarissa Cavalcanti explica que o documentário usou a metáfora da “fábrica” para retratar o ritmo das cirurgias. Professores de medicina alertam que jornadas excessivas aumentam o risco de falhas humanas. Em interrogatório de maio de 2024, o médico disse não se envergonhar do número de operações, alegando que muitas eram simples, como retirada de verrugas. Dados oficiais, no entanto, mostram que ele realizou mais de mil cirurgias em um ano, sendo menos de 100 de pequeno porte. Para o colega Luiz Carlos Nunes Jr., o problema é estatístico: “Quem faz mil pode ter 160 complicações”. Outros relatos apontam falta de higiene. Técnicos de enfermagem disseram que Couto rejeitava o uso de luvas. A ex-paciente Deise Pereira da Silva descreveu atendimento traumático, com manipulação da cicatriz sem instrumentos adequados e forte odor de infecção. Mensagens extraídas do celular do médico revelaram respostas agressivas e negligência. Em um diálogo, ele escreveu: “Eu não tenho nada que ver com essa tua complicação”. Em outro, ao ser informado que Núbia aguardava atendimento, respondeu: “Vai morrer aguardando, não vou aí hoje”. Núbia morreu após perfuração intestinal durante cirurgia. Atualmente, João Couto foi indiciado pela morte de nove pacientes. Outras 32 mortes seguem sob investigação, somando 140 inquéritos, incluindo lesões corporais. A Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu sua licença, mas ele foi preso em São Paulo por descumprir a decisão. Após 51 dias detido, responde em liberdade a dois processos por homicídio por omissão e dolo eventual. Perícias médicas apontam infecções, cortes e retirada de órgãos sem necessidade comprovada. O chefe do Departamento de Homicídios, Mario Souza, afirma que as denúncias estão sendo confirmadas. O advogado de defesa, Brunno Lia Pires, nega irregularidades. Em entrevista em 2025, o cirurgião declarou: “Se tu não tem culpa, tu não pode ter remorso”. O caso reacende o debate sobre a mercantilização da medicina e a confiança entre médico e paciente. Para o diretor do documentário, Thiago Guimarães, ações judiciais contra médicos dobraram nos últimos cinco anos. Vítimas seguem mobilizadas em busca de justiça. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

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